segunda-feira, 18 de maio de 2015

R$ 3,00 é roubo: a UJS é contra o aumento na passagem de ônibus

A União da Juventude Socialista (UJS) de Rio Grande possui um histórico na luta por melhorias no transporte coletivo do município. Sempre em defesa dos usuários, aqueles que sofrem diariamente com as diversas falhas existentes, a UJS destacou-se por inúmeros protestos e atos em defesa da população. Durante a gestão da família Branco (PMDB) no Executivo Municipal, foram várias as manifestações contra aumento das passagens, a extinção de linhas, a baldeação da integração, a restrição ao uso do cartão escolar, a lotação dos ônibus, o monopólio instaurado pela Noiva do Mar, a qualidade dos veículos, os atrasos, a falta de dialogo e representação da sociedade nas decisões acerca do transporte.

Para além das manifestações, também se destaca a nossa capacidade de debater e buscar soluções. Foi assim quando estivemos a frente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da FURG. Em diversos momentos procuramos a antiga gestão da Prefeitura e apresentamos a realidade dos estudantes e passageiros. Algumas reivindicações foram atendidas nesse período, como o fim do bloqueio ao uso do cartão escolar na madrugada, o retorno da linha FURG até o IFRS (ligando o Campus Carreiros ao Instituto Federal), a instalação de um terminal de recarga de cartões no Centro de Convivência da Universidade (descentralizando esse procedimento) e uma vaga para o DCE no Conselho Consultivo de Transporte e Trânsito. Quando estivemos a frente da União Riograndina de Estudantes Secundários (URES), conquistamos outro fato inédito em Rio Grande: a possibilidade de utilização do cartão escolar em um domingo de prova do ENEM.

Entre abaixo-assinados, participação ativa em audiências pública e protestos, ressaltamos uma denúncia sobre a superlotação dos ônibus que transportam os passageiros. A partir dessa iniciativa, o Ministério Público realizou uma investigação que gerou uma ação civil pública. Com o ato foi constatada uma alteração da indicação que informa a capacidade máxima de passageiros nos ônibus.

Com a chegada do prefeito Alexandre Lindenmeyer (PT) ao Paço Municipal, a esperança tomou conta da população. No início da nova gestão algumas bandeiras levantadas pela UJS foram atendidas, como o fim da restrição ao uso do cartão escolar (respeitando o estudante que agora pode usá-lo todos os dias da semana). Entretanto, acreditamos que precise haver um aperfeiçoamento dessa prática, pois foi permitido a recarga de apenas 20% a mais do valor anteriormente liberado (fato que não garante o uso do cartão em todos os dias do mês). O mesmo cartão escolar também foi ampliado aos professores. Outra reivindicação atendida, e já presente em diversos municípios, foi a instituição do passe livre em cinco dias durante o ano, o que era firmemente negado na gestão do PMDB. A administração municipal também cumpriu o Estatuto do Idoso, dando gratuidade aos passageiros a partir dos 60 anos. Reconhecemos o avanço da atual gestão da Prefeitura ao lançar o edital para a nova licitação do transporte coletivo, fato que, esperamos, mude a configuração do serviço prestado, com o fim do monopólio privado. Essa é, sem dúvida, nossa maior reivindicação.

No entanto, não é possível que haja concordância da UJS no atual cenário do transporte público. São muitos os problemas enfrentados, como o atraso nos horários de diferentes linhas e a constante superlotação em horários de pico. É possível constatar também uma falta de planejamento na distribuição dos ônibus, fazendo com que o usuário espere além do habitual nas paradas.

Diante desse cenário, e entendendo que o nosso transporte público tem muito a melhorar, a UJS posiciona-se contrária ao aumento de R$ 0,25 no preço da passagem. Consideramos R$ 3,00 um valor abusivo, que irá impactar enormemente na vida dos estudantes e da classe trabalhadora. Reafirmamos o nosso compromisso de lutar e defender milhares de passageiros que utilizam o transporte coletivo diariamente. Portanto, apoiaremos qualquer ato de mobilização contra esse aumento, desde que tais movimentos dialoguem com os órgãos responsáveis e que não sirvam de massa de manobra para quem nunca se importou com o transporte coletivo.

Defendemos a imediata redução na tarifa do ônibus, como forma de compensar a população pelo atual serviço prestado. Também entendemos que a médio e longo prazo, a Prefeitura deva reativar as linhas do DATC dentro do município (hoje presente em alguns horários da linha Rio Grande - Porto Alegre). O poder público deve gerir diretamente esse serviço, sem que a ganância dos atuais empresários do transporte faça a população refém dos seus lucros. O DATC, com qualidade e bem administrado também nas linhas urbanas, pode servir como um regulador do sistema de transporte e garantir divisas para sua manutenção.

A UJS também repudia a manifestação de alguns vereadores e figuras publicas municipais, os mesmos que defendiam a antiga gestão municipal, contra a nossa entidade. Esses senhores nunca representaram o interesse da população, sempre se manifestando favoráveis às empresas de transporte. Os que hoje cobram uma posição da UJS, são os mesmos que, atualmente, seguem a dizer que o transporte público de Rio Grande é bom, sem precisar utilizar os coletivos do município e aproveitando seus carros e gabinetes com ar-condicionado. Portanto, não nos alinharemos a criticas rasas feitas por quem nunca se importou, de fato, com o transporte coletivo, apenas faz dessa disputa seu palanque político para atingir a entidade e promover-se.

União da Juventude Socialista
Rio Grande, 18 de maio de 2015.

domingo, 17 de maio de 2015

Abre Alas lança Carina Vitral à presidência da UNE

Carina Vitral é a candidata do Movimento Abre Alas à Presidência UNE. Foto: Abre Alas/Facebook
A coordenação do Movimento Abre Alas, após longa reunião onde se debateu a problemática nacional e os desafios do movimento estudantil universitário para o próximo período, lançou a candidatura da estudante de economia da PUC-SP, atual Presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Carina Vitral à Presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Em uma semana marcada pelo machismo e a violência durante o processo de eleição nas Universidades para xs delegadxs ao 54º CONUNE, nos desafiamos a seguir emancipando as mulheres e lutando contra o patriarcado. 

É simbólico, emblemático e histórico a possibilidade de uma Mulher Presidenta da UNE, 5ª Mulher Presidenta em 77 anos, ter a perspectiva de passar a bola para outra Mulher.

Iremos para a reta final de campanha mais animadas e animados, com a convicção que na prática estamos contribuindo para enfrentar o machismo e fortalecer a luta feminista da UNE e em toda sociedade. 

Carina, que já foi da direção da UNE na gestão 2011-2013 e iniciou sua atuação no movimento estudantil em 2009, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está finalizando uma vitoriosa gestão à frente da UEE-SP que, entre tantas conquistas, assegurou o passe-livre estudantil para xs estudantes de São Paulo! Além de uma grande liderança política, é uma feminista comprometida desde o início da sua militância com a luta das mulheres. 

Xs delegadxs rumo ao 54º Congresso da UNE devem ter a convicção que tem uma candidata feminista, combativa e que orgulha nossa militância. Sem dúvida levará a luta feminista na UNE à outros patamares! 

O protagonismo das mulheres no movimento estudantil não tem volta. Nossa candidatura seguirá Abrindo Alas para as Mulheres!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um DCE que não representa a periferia: o que tenho a ver com isto?

A realidade material e econômica do Brasil mudou muito nos últimos anos. O Reuni, o Prouni e as políticas de cotas permitiram que muitxs alunxs de diferentes classes sociais ingressassem e permanecessem nas universidades públicas, além disto, o espaço destas aumentou consideravelmente. Aqui não se trata de uma propaganda de governo, pois mesmo estas políticas públicas merecem sua parcela de crítica; e aqueles atores que vivem o cotidiano estudantil sabem muito bem as mazelas enfrentadas.

O ano de 2014 foi emblemático em nossa instituição. Vimos a ascensão, há muito tempo jamais vista, de uma chapa claramente de direita, com o nome sugestivo de Reação, contudo, parece que faltam “reagentes” para ela estar completa. O último pleito foi marcado por um surpreendente “profissionalismo” de nossos atuais representantes em busca da tomada de poder do Diretório Central. E venceram justamente nas urnas. Se há uma coisa que não podemos reclamar da atual gestão é a sua burocrática melancolia de cumprir obrigações, principalmente onde têm câmeras. Os holofotes parecem ser o que guiam os nossos “representantes” rumo ao estrelado, opa, rumo à nossa representação nada representativa.

Não é impossível ser apartidário, ainda mais em nosso país que depois da redemocratização teve uma euforia de novos partidos sendo criados que não representavam nada e nem a ninguém, somente a interesses escusos de classes da nossa sociedade. E mesmo assim, têm aqueles que mantêm certa fidelidade a algum ideal e conseguem filiados. Nós da UJS, respeitamos toda esta pluralidade. Entretanto, não conseguimos ser coniventes com a irresponsabilidade daqueles que deveriam representar xs alunxs de nossa universidade e se travestem de sem ideologia – quando nós sabemos bem qual ela é, se colocando sempre ao lado do patrão. Em outras palavras queremos dizer que tudo que o DCE em sua atual comissão fez foi ser contra xs estudantes, xs trabalhadores e a periferia.

O nosso país passa, hoje, por um momento de delicado ajuste econômico. Pior que isto, o grande capital financeiro se institucionaliza na forma de medidas provisórias, ou seja, de leis para punir o trabalhador. Em última instância, nós, estudantes de universidades federais, a periferia deste sistema monetarizado, sofremos com cortes de 7 bilhões no orçamento da união destinado à educação. E com isto o projeto da Pátria Educadora fica somente no slogan do governo. Esta internalização do sistema afeta cada âmbito particular de nossas vidas adestrando primeiramente nossos corpos para sermos engrenagens perfeitas desta máquina de exploração, e em última análise nossas almas, nos alienando de perceber e nos sensibilizarmos com o controle de nossas vidas por este sistema do capital.

Nós da UJS lutamos pelo empoderamento do movimento estudantil e de todx e qualquer alunx de nosso sistema educacional em todos os níveis – municipal, estadual e federal. Uma vez que entendemos que, e ainda bem, a educação não se dá somente no âmbito formal, ela também se dá fora das instituições de ensino. Nosso sonho é unir a classe trabalhadora e empoderá-la. Xs estudantes são o elo fundamental desta mudança, pois são a esperança de um mundo melhor, de um país melhor, de uma cidade melhor.

A posição da atual gestão do DCE é de favorecer claramente as leis de mercado. Ou a âncora esmagadora do liberalismo/ neoliberalismo. Entretanto o Brasil não é uma potência como EUA, ou China. Então no que isto implica? Implica no mesmo tipo de servilismo internacional que as nossas classes dominantes tiveram e nos entregaram ao regime militar de 1964. Nos apresentando uma noção de ética, às vezes até mesmo aristotélica, mas se baseando numa prática totalitária de luta contra a classe trabalhadora e estudantil. Como um de seus representantes que além de fazer apologia ao militarismo, faz também à Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro presidente militar depois do golpe.

Representação que consegue confundir “estupro” como se fosse algo vulgar como o preço da passagem. São a favor do liberalismo que convêm, pois são contra o Estado intervir na economia. Mas oras, não são contra o Estado deste mesmo liberalismo permitir o enriquecimento, e sabem muito bem que se não fosse pela intervenção dele a passagem seria muito mais cara do que é agora. E nós, trabalhadorxs/ estudantes seriamos muito mais explorados e sem direito a bolsas uma vez que, estas existem para corrigir as injustiças do sistema capitalista. Foram contra também a ocupação da reitoria - e mesmo que não concordássemos com o método, no momento, interpretamos o ato como uma forma de luta. Ou seja, tudo que xs estudantes lutam por assistência estudantil e uma vida digna, não somente para si, mas para a sociedade como um todo é segundo eles ilegítimo – uma vez que os representantes dxs estudantes são a Gestão Reação.

Estudantes da FURG, uni-vos! Não existe cidadania de mercado como eles nos tentam fazer acreditar. Vamos nos unir na luta para nos tornarmos, como periferia, a centralidade do sistema. Porque reação sem reagente não acontece!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras

No dia 1º de maio de 1886, em Chicago - principal centro industrial dos Estados Unidos na época - milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. No entanto, houve uma forte repressão ao movimento - com prisões, feridos e mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Um Congresso Socialista realizado em Paris no ano de 1889 criou, em memória dos mártires de Chicago, o Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras. O dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

1º de maio em Rio Grande

Em 1950, no Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras, a tecelã Angelina Gonçalves, militante comunista que carregava a bandeira do Brasil e liderava as primeiras fileiras de uma passeata, acabou morta durante confronto com a Brigada Militar.

Na data foi realizado um churrasco de comemoração ao dia do trabalhador, no local do então Parque Rio-Grandense. A atividade, convocada por grupos ligados ao movimento operário, contou com apresentações musicais e discursos. Ao final da atividade, alguns oradores chamaram os presentes a sair em caminhada a fim de fazer uma última manifestação em frente à sede da Sociedade União Operária (SUO), que estava fechada por ordem do Ministro da Justiça desde maio de 1949.

A marcha saiu pela cidade, com uma banda de música e o pavilhão nacional à frente, com o grito de palavras de ordem e apresentação de cartazes e faixas, pedindo a reabertura da SUO e comemorando o dia do trabalhador. Nas imediações do campo do Esporte Clube General Osório a manifestação foi interceptada pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que exigiu a sua dispersão. Junto com o DOPS estavam alguns policiais e soldados da Brigada Militar, que se encontravam dentro do estádio do Sport Club Rio Grande, próximo ao local, que estava lotado devido a uma partida de futebol comemorativa contra o time carioca do Vasco da Gama.

A partir dali começou um confronto, em que morreram três manifestantes: o pedreiro Euclides Pinto, o portuário Honório Alves de Couto e a tecelã Angelina Gonçalves. Também foi morto o ferroviário Osvaldino Correa, que havia saído do estádio de futebol em apoio aos manifestantes, e o soldado da Brigada Militar Francisco Reis. Várias pessoas foram feridas. O vereador e estivador Antônio Rechia ficou paraplégico após levar um tiro. Os operários Oswaldino Borges D’Ávila e Amabílio dos Santos precisaram ser hospitalizados. Muitos trabalhadores não foram aos hospitais para cuidar seus ferimentos para que não fossem presos.

No dia seguinte às mortes, houve uma grande comoção da população que acompanhou o enterro dos operários com as golas levantadas simbolizando o apoio da população aos mártires e suas causas. Os jornais da época registram que o cortejo contou com a participação de mais de cinco mil pessoas.

A única filha de Angelina, Shirley, que tinha 10 anos na época e acompanhava a mãe no momento do incidente, esteve em Rio Grande no ano de 2010. Na ocasião foi homenageada pela Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, recebendo a Medalha da 52ª Legislatura.  Shirley também esteve presente na inauguração do Memorial aos Operários, monumento localizado no canteiro central da Avenida Presidente Vargas.

Na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o Centro Acadêmico de História (CAHIS) leva o nome de Angelina Gonçalves - homenageando a emblemática figura da mulher riograndina, mártir do movimento operário da cidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Abre Alas rumo ao 54º Congresso da UNE


Somos estudantes que sonhamos. Acordamos cedo, enfrentamos diariamente o congestionamento das grandes cidades dentro de ônibus lotados, estagiamos e trabalhamos. De norte a sul do Brasil, nós colocamos o BLOCO NA RUA e lutamos para viver os nossos sonhos. Realizamos uma parte deles entrando na universidade a partir de nosso empenho pessoal e de vitórias coletivas como as cotas, o Prouni, o Fies e a expansão do ensino superior público.

Somos aqueles que pensam que a rua é a parte principal da cidade. Em cartazes e canções apresentamos o nosso desejo de uma vida e um Brasil melhor. Ao ocupar as principais avenidas do país, conquistamos os 10% do PIB, 50% do Fundo do Pré sal e 75% dos royalties do petróleo para educação!

Acreditamos que se a gente se organiza, se encontramos com mais gente que pensa parecido, seremos mais fortes para transformar ainda mais a universidade e fazer dela um instrumento para construir um país mais justo, mais desenvolvido e com mais oportunidades para nossa gente.

Com tantas vitórias nas mãos, temos o terreno pronto para avançar nas conquistas e construir um ensino superior a altura dos desafios do nosso país! É para construir uma nova universidade e uma nova sociedade que te convidamos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), aos 77 anos, tem uma imensa folha de serviços prestados a nossa nação. Da criação da Petrobrás na campanha “O Petróleo é nosso!”; na resistência à ditadura militar; na redemocratização com a campanha das “Diretas já!”, no “Fora Collor”; na resistência ao neoliberalismo implementado por FHC nos anos 90; nas conquistas sociais com Lula e Dilma ou nas ruas de junho de 2013; a UNE se fez presente em todos os momentos da nossa história republicana defendendo o Brasil e seu projeto de soberania.

A cada 2 anos, a UNE realiza seu congresso em que milhares de estudantes apontam os rumos de luta e combatividade do movimento estudantil. Em junho de 2015, será realizada sua 54°edição. Convidamos você a fazer parte dessa história que seguirá abrindo alas para o Brasil que tanto sonhamos!

"Abre Alas pra minha bandeira,
já está chegando a hora!"

Construa o movimento Abre Alas na sua universidade:



E-mail: abrealasbrasil@gmail.com

WhatsApp: (11) 96323-4368

domingo, 26 de abril de 2015

Nova diretoria da UJS Rio Grande é empossada


A União da Juventude Socialista (UJS) de Rio Grande realizou na tarde desse sábado (25) sua Plenária Municipal. A atividade ocorreu na sede do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Reunindo novos e antigos militantes, e contando com a participação do ex-vereador Julio Martins e do presidente do PCdoB em Rio Grande, Daniel Alvarenga, o encontro propiciou um amplo debate sobre o movimento estudantil e as realidades políticas locais e nacionais.

Durante a plenária tomou posse a nova Executiva Municipal da UJS Rio Grande, composta por:

PRESIDENTE: Joice Eslabão de Oliveira

VICE-PRESIDENTE: Guilherme Silva dos Santos

DIRETOR DE ORGANIZAÇÃO: João Batista Flores Teixeira

DIRETOR DE FINANÇAS: Marcelo Augusto Fagundes Rodrigues

DIRETORES DE COMUNICAÇÃO: Carlos Eduardo Nunes da Costa e Marcos Leandro da Rosa

DIRETOR DE FORMAÇÃO: Rafael Manske dos Anjos

COORDENADORES DO COLETIVO UNIVERSITÁRIO: Bárbara Dandara Amaral Pereira e Guilherme Savi Farina

COORDENADORA DO MOVIMENTO SECUNDARISTA: Chaiane Trindade Fossati

COORDENADOR DO MOVIMENTO NEGRO: Chendler Vasconcelos Siqueira

COORDENADORA DO MOVIMENTO FEMINISTA: Carolina Kokado de Oliveira

A UJS Rio Grande compromete-se em participar dos movimentos sociais locais, sendo uma entidade atuante e conectada com as demandas populares.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Novo Presidente da UNE, Daniel Iliescu, em entrevista à revista Carta Maior



Brasil não pode ser 7° em economia e 88° em educação, afirma UNE

Novo presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, defende que Congresso mude proposta do governo e fixe em 10% do produto interno bruto (PIB) meta de investimentos em educação, para combater contradição entre a força da economia brasileira e a posição do país no ranking mundial da educação. Em entrevista à Carta Maior, Iliescu critica política econômica adotada pelo gestão Dilma Rousseff nos seis primeiros meses, elogia postura da presidenta de 'tolerância zero' com corrupção e garante que UNE terá 'independência' do governo federal.

BRASÍLIA – O Brasil ostenta hoje uma “desproporção” entre a força de sua economia e seus níveis educacionais que o Plano Nacional da Educação (PNE) 2011-2020 precisa ajudar a combater. É a sétima economia do mundo, posição tomada recentemente da Itália, mas, ao mesmo tempo, ocupa só a 88ª posição no ranking das Nações Unidas na área da educação.

Para o novo presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, a superação da contradição exige que o Congresso Nacional mude o PNE proposto pelo governo e fixe em 10% do Produto Interno Bruto (PIB), e não em 7%, a meta de investimentos públicos na área - hoje o patamar é de 5%, segundo o ministério da Educação. E que a meta seja atingida até 2014, fim do governo Dilma Rousseff, e não apenas em 2020.

“10% do PIB é uma bandeira muito poderosa. Não é só do movimento educacional, tem relação com o projeto de futuro que a gente quer debater para o Brasil”, diz Iliescu, eleito para um mandato de dois anos neste domingo (17/07), último dia do 52° Congresso Nacional da UNE, realizado em Goiânia (GO).

Estudante de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Iliescu, de 26 anos, é filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que comanda a UNE há tempos. Ele representa a continuidade de uma gestão que costuma ser acusada por opositores de Dilma e do ex-presidente Lula de adesista ao governo federal. 

Em entrevista à Carta Maior, Iliescu diz que a UNE tem e seguirá tendo independência em relação ao governo, com o qual se relaciona por “obrigação” de defender os interesses da classe estudantil, e aponta a divergência no PNE como exemplo de autonomia. 

Ele também faz uma avaliação dos seis primeiros meses do governo Dilma, com críticas à política econômica (ajuste fiscal e aumento de juro “preocupam muito”) e elogio à postura política da presidenta (há “tolerância zero com corrupção”). E fala sobre erros e acertos da gestão do ministro da Educação, Fernando Haddad.

A seguir, o leitor confere a íntegra da entrevista.

Sua eleição representa a continuidade de uma gestão que adversários do governo chamam de chapa-branca. A UNE é chapa branca?

Daniel Iliescu: A nossa gestão vai procurar, em primeiro lugar, ter uma relação de independência com o governo federal. É uma relação que a UNE desenvolve historicamente com todo e qualquer governo. A UNE tem obrigação de se relacionar com os governos, em respeito aos interesses dos estudantes pelos quais ela luta. E as principais opiniões que a gente tem levantado, as principais campanhas em que a UNE tem apostado, são opiniões de dissenso em relação ao governo. Em especial, nossa abordagem ao Plano Nacional de Educação, que é um assunto que a UNE discute há algum tempo, desde a Conferência Nacional de Educação de 2010. A UNE defende [investir em educação] 10% do PIB até 2014, contrastando e criticando a proposta do governo federal de 7%. Então, apesar dessas opiniões de alguns adversários do governo federal, de caricaturar a ação do movimento estudantil, a gente consegue passar muita confiança para a sociedade brasileira de que é função da UNE ter independência e pressionar o governo federal a ter mais compromisso com o país.

O PNE vai ser, na sua gestão, o principal ponto de reinvindicação e de negociação no nível federal?

Daniel Iliescu: Pelo menos nessa largada da gestão, vai ser a prioridade. É a principal discussão que o Brasil faz sobre educação de dez em dez anos. A gente apresentou, junto com a UBES [União Brasileira dos Estudantes Secundaristas], cerca de 60 emendas ao projeto na comissão especial da Câmara dos Deputados. E vamos convocar os estudantes brasileiros a se unir ao movimento social e à sociedade civil organizada para construir, no fim de agosto, uma grande jornada nacional de lutas sobre o PNE. Mas a gente espera que o PNE não seja a única pauta da gestão.

Você acha que há condições de, fazendo pressão no Congresso, convencer o Executivo a ampliar de 7% para 10%?


Daniel Iliescu: 10% do PIB é uma bandeira muito poderosa, que pode se tornar a bandeira de todo o país, não é uma bandeira corporativa, só do movimento educacional. É uma bandeira que tem relação com o projeto de futuro que a gente quer debater para o Brasil. O Brasil vive uma oportunidade ímpar de desenvolvimento econômico, ultrapassou a Itália e é a quinta economia do mundo. No entanto, a ONU, pelo seu braço que é a Unesco, que mede níveis educacionais de vários países como taxa de analfabetismo e acesso à universidade, coloca o Brasil na posição de número 88. É muito desprorporcional hoje o Brasil em termos de suas possibilidades econômicas e o Brasil em termos de educação que oferece à população. O Brasil precisa ampliar de forma robusta o financiamento. O PNE aprovado em 2001 já apontava a necessidade de investir 7% do PIB até 2010 e isso não foi cumprido pelos governos na última década. 

Quer dizer, já é uma meta defasada...Daniel Iliescu: É uma necessidade defasada. O Brasil vive um bônus demográfico de 50 milhões de jovens, precisa aproveitar essa geração e investir de forma mais robusta para poder financiar o que a gente entende que seja uma revolução na educação brasileira, que vai desde o combate ao analfabetismo, a valorização dos professores em todos os níveis de ensino, até a produção de tencologia de ponta, de pesquisa nas universidades. Só uma ampliação desse patamar [de investimento em educação] para no mínimo de 10% do PIB, e a gente propõe que isso seja feito até 2014, com o aumento de 1,25% ao ano, é que a gente consegue enfrentar os desafios e superar as desigualdades que o Brasil historicamente tem constituído.

E qual será a prioridade em 2012, depois do PNE?Daniel Iliescu: O grande desafio que a gente quer assumir é de se associar ao que tem de melhor no pensamento brasileiro, melhor do pensamento acadêmico, do pensamento político, jornalístico, da sociedade civil organizada, para debater o Brasil na década, debater os rumos do desenvolvimento brasileiro. A UNE se pauta há 74 anos por um projeto de desenvolvimento que seja democrático, soberano, ambientalmente sustentável. E achamos que um debate sobre os destinos da educação faz parte sobre esse grande debate sobre os rumos do país. O nosso congresso discutiu temas que vão desde economia até meio ambiente, que vão desde política até sexualidade. Existe uma pauta extensa, que interessa aos rumos do país. Este ano mesmo, o Brasil já vive um processo de conferência nacional de juventude, as suas etapas municipais, a etapa nacional vai ser daqui a alguns meses. Então, vamos fazer um esforço de dar opinião sobre tudo o que diz respeito à juventude, de exercer diálogo com a sociedade e pressão sobre o governo no Congresso para aprovar o que for de interesse da juventude brasileira.

Qual sua avaliação do primeiro semestre do governo Dilma?Daniel Iliescu: O governo foi eleito interpretando a vontade da grande maioria dos brasileiros de aprofundar mudanças no país. Mas houve até agora algumas sinalizações contraditórias, especialmente no âmbito econômico, que, na nossa opinião, vão contra este interesse de aprofundar o desenvolvimento e mesmo da pauta que foi aprovada pela maioria dos brasileiros. Alguns exemplos disso? O corte no orcamento de R$ 50 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões da educação. A política de constante subida dos juros, que pode travar o investimento no país, não beneficia as forças produtivas brasileiras. O próprio dólar sobrevalorizado pode acarretar um risco de desindustrialização. Então, a gente observa com muita preocupação esse início de governo. Mas mantendo expectativa também na capacidade de diálogo, no aprofundamento da democracia para que a sociedade organziada possa influenciar nesses rumos e ajudar o Brasil daqui para frente.

E do ponto de vista político? É um governo que, em seis meses, perdeu dois ministros por denúncias de desvios éticos...Daniel Iliescu: A gente obviamente, como toda a sociedade brasileira, fica consternada e quer fazer pressão para que os mandatários sejam honestos, a gente fica indigando com todo e qualquer envolvimento em corrupção. Mas a ação da presidenta Dilma até aqui foi muita assertiva. Ela passou uma certa segurança à população brasileira de que a tolerância será zero com todo e qualquer caso de corrupção. Ficamos também na expectativa para ver se o Brasil finalmente consegue republicanizar mais a sua relação com o poder público, que é uma expectativa de toda a sociedade. Isso se relaciona também com o debate sobre reforma política, que alguns atores têm entendimento de que é fundamental para o país. Nós também temos uma expectativa grande de que medidas como a reforma política possam moralizar mais a vida pública.

Especificamente sobre o ministro da Educação, Fernando Haddad, qual a sua avaliação?Daniel Iliescu: Em primeiro lugar, foi uma gestão com um grau bastante razoável de diálogo, que é uma postura importante no Ministério do Educação. Não temos do que reclamar deste ponto de vista. É também uma gestão com vitórias importantes e alguns limites importantes a serem considerados também. Entre as vitórias, eu citaria a ampliação do acesso à universiade. A gente realizou no Congresso da UNE um ato para comemorar a marca de 1 milhão de estudantes beneficiados pelo Prouni. E não são quaisquer estudantes, são de baixa renda, que ganham de um a três salários mínimos, é um dado a ser comemorado pelo país, talvez seja um dos maiores programas de inclusão educacional de todo o continente. No entanto, existem alguns limites importantes. O próprio limite do financiamento, em que pese na gestão do Haddad ter tido sempre uma trajetória ascendente, mas achamos que é um ritmo ascendente ainda muito tímido, não é compatível com as necessidades do Brasil.